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Imagina trancar a faculdade, se despedir da família, pegar todo o dinheiro que você juntou até hoje e partir rumo a uma viagem – sem data de volta definida – pelo mundo. Loucura? Que nada, é sonho! Pelo menos sempre foi o do Felipe. Sabe aqueles planos malucos que fazemos com a BFF quando somos crianças e acabamos desistindo no futuro? O Felipe tinha o de dar a volta ao mundo junto com o seu melhor amigo, o problema é que esse amigo seguiu outro rumo e acabou desistindo. Mas o Fe, não! Ele resolveu encarar a aventura mesmo sozinho (com apenas 19 anos!) com uma mochila nas costas, uma câmera na mão e uma ideia na cabeça: fotografar e conversar com as crianças que encontrasse para tentar reaprender, através delas, a se manter jovem. Com essa experiência ele escreveria uma carta para o melhor amigo contando tudo o que rolou para que ele se sentisse realizando o sonho também. Demais, né? A história do Fe acabou virando um livro, Jovem O Suficiente, que está sendo produzido pelo financiamento coletivo, ou seja, as pessoas que apoiaram a ideia dele doaram uma quantia em dinheiro e vão receber o seu exemplar. Viu só? E ainda tem gente que diz que sonhar é besteira! Ai, ai… Sabem de nada inocentes!

Eu ia escrever um texto com a história do Felipe (aliás, tem um vídeo bem bacana aqui!), mas o papo com ele foi tão legal, que resolvi publicar a entrevista na integra. Adianto que ficou um pouco grande, mas a história dele é tão inspiradora que eu tenho certeza que vai animar muita gente a correr atrás dos seus sonhos. Se liga:

 

Quanto tempo você passou planejando tudo até partir rumo à aventura pelo mundo?

Desde cedo eu listava, com o meu amigo, lugares que desejava visitar. Tínhamos, inclusive, um mapa com o qual imaginávamos rotas, enrolando um barbante em alfinetes pregados “pelo mundo”. Mas o planejamento de verdade começou seis meses antes da partida: tirar os vistos necessários, tomar algumas vacinas, comprar uma ou outra passagem e fazer uma ou outra reserva, além de trancar a faculdade e deixar tudo em ordem em casa antes de pôr o pé na estrada.

 

É inevitável não perguntar e acho que todas as leitoras querem saber: como você conseguiu se manter durante esse tempo?

Por alguns anos, durante a adolescência, entrei em concursos culturais pela internet: aquelas promoções nas quais a resposta mais criativa para uma determinada pergunta é premiada. Ganhei uns vinte, vendi os prêmios em sites de leilão online, e juntei a grana que bancou grande parte da viagem. Além disso, dei aulas de inglês no Nepal e na Indonésia. No entanto, o mais importante foi saber economizar e escolher para onde ir ao longo da viagem. Por exemplo: a Europa é cara, todos sabemos, mas é possível passar um mês viajando em algumas regiões da Ásia e gastar menos do que se gasta em uma semana vivendo em São Paulo.

 

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Sua família o apoiou nessa aventura?

Sim e serei eternamente grato por isso. Aprendi a gostar de viajar com a minha mãe, e a paixão pelas artes veio do meu pai. No fim das contas, o sonho era um pouco deles também. Eles dois e minha irmã curtiram (e sofreram!) junto comigo em cada momento.

 

Qual foi o maior perrengue que você passou durante essa viagem?

Vixe, não foram poucos… Os que me vêm primeiro à cabeça, agora, aconteceram na Bulgária e no sudeste da Turquia. No primeiro, tive de passar por uma cirurgia de emergência em um hospital soviético que não tinha nem sabonete no banheiro e onde ninguém me entendia e vice-versa. No segundo, fui acordado de madrugada pelo meu anfitrião, na casa de uma família árabe onde me hospedei perto da fronteira com a Síria. O país vizinho, em guerra, tinha recém bombardeado uma área a 30 quilômetros de onde estávamos. Apesar de ter adorado a minha companhia, o homem achou prudente que eu fosse embora o quanto antes. Peguei minhas coisas, agradeci, e saí às pressas, claro.

 

E o lugar que mais marcou?

A Indonésia e o Nepal. Em ambos fui acolhido por gente de coração enorme, me deparei com paisagens que pareciam saídas de jogos de videogame, testemunhei tradições ancestrais e pude esquecer o passar do tempo. Esses lugares me fizeram acreditar naquele velho dizer: “quanto menos um povo tem mais ele tem a dar”.

 

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De onde veio a ideia de partir para o financiamento coletivo para conseguir lançar um livro?

Terminei de escrever a carta para o meu melhor amigo contando a história da viagem e das conversas com as crianças. Outros antigos amigos (aqueles que “envelheciam”, cada um à sua maneira!) se interessaram e pediram para ler o material. Foi aí que eu percebi que aquela jornada podia trazer de volta a essência da juventude não só para mim ou para meu melhor amigo, mas para qualquer pessoa que embarcasse nessa aventura junto comigo. Transformei a carta em uma narrativa e formatei um projeto para pré-vender a obra pela internet e viabilizar a publicação. Em cinco dias, a meta inicial do financiamento coletivo tinha sido atingida.

 

Dá para adiantar um pouquinho do que vem por aí no livro?

O financiamento coletivo superou em muito as minhas expectativas: 900 exemplares foram encomendados, recebi incontáveis mensagens de apoio, e uma editora acabou se interessando pelo material. Tudo dando certo, o livro deve chegar às livrarias logo depois de ser enviado àqueles que encomendaram a obra pelo Catarse. Isso deve acontecer por março, então podemos dizer, por enquanto, que essa é a “data oficial de lançamento”.  Jovem O Suficiente é uma narrativa de viagem nada convencional, pontuada por conversas com crianças do mundo todo e fotografias de arrepiar. Não é um livro para crianças: o mundo não é um mar de rosas, e qualquer viagem de exploração ao redor dele traz à tona o melhor e o pior do ser humano. No fundo, é uma carta de apelo à criança adormecida dentro de cada um de nós, que vai fazer o leitor se emocionar e chegar à última página mais jovem que era quando leu a primeira.

 

Agora que você conhece crianças do mundo inteiro, qual você acha que é o segredo para se manter sempre jovem e não desistir dos seus sonhos?

Depois de conhecer e conversar com tanta gente, descobri uma grande disparidade: enquanto adultos preferem duvidar da fantasia, crianças preferem duvidar da realidade. É claro que, com a chegada da maturidade, os compromissos (pessoais, profissionais e tudo o mais) aumentam. Só não podemos deixar que eles sejam maiores que os compromissos que temos com os nossos sonhos. Duvide daqueles que duvidam de ti. E continue correndo atrás daquilo em que tu acredita. Uma vez me disseram que a cada vez que se realiza um sonho, você rejuvenesce. Pra se manter jovem, então, não dá pra se acomodar.

 

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Fe, qual conselho você daria para os jovens que tem um sonho, mas tem medo?

Vou emprestar uma frase do Gandhi pra responder a essa pergunta: “acreditar em algo e não vivê-lo é desonesto”. Se tu acredita em alguma coisa, não tem nenhuma outra escolha digna que não seja se agarrar a essa crença e correr atrás desse sonho. Não é preciso ter pressa, só é preciso se manter fiel ao caminho que escolheu e trilhá-lo pouco a pouco. Percalços vão surgir, sempre, mas não se esqueça: se não puder fazer tudo o que deve, lembre-se de que tu deve fazer tudo o que pode.

 

E aí, gostaram? Eu, particularmente, não vejo a hora de ler esse livro. Felipe, muuuito obrigada pela entrevista. Eu tenho certeza que hoje você inspirou não só a mim, como a todas as minhas springers! Se alguém tiver alguma dúvida, comentário ou recadinho pro Fe, deixa aqui nos comentários que eu passo pra ele, combinado? Também fique à vontade para curtir a página do Jovem o Suficiente, clicando aqui!